Poema do Natal bonsai
Natal dizemos nós antecipando
as horas de fingirmos que na terra
só temos homens de boa vontade.
E quando chega o dia distribuímos
cartões de visita que assinamos:
toma nota de mim! Vê que sou bom!
Que dou! Não me agradeces? E um sorriso
até parece que comprova
o homem de bem que todos somos.
Natal é mesmo o único dia
em que a palavra hipocrisia
rima, solene, com a alegria
tão breve com que a nós nos enganamos.
E mesmo assim lá vamos
lá cumprimos
a trégua que dá um feriado à Bolsa.
Ao menos o Natal há-de ser dia
de não haver ninguém a fazer leis
que obrigam qualquer dia do novo ano
a ser o desnatal quotidiano
de quantos esperam sempre um pouco mais.
Porém, passaram já tantos natais
de prendas a minguar cada vez mais
que mesmo com esforço os sorrisos
a pouco e pouco se vão esfumando
saindo pelas nossas chaminés
por onde nos entravam pais natais.
E mesmo assim nós vamos pondo a mesa.
E ainda assim nós fazemos a festa.
Natal é o disfarce da tristeza
da pouca alegria que nos resta.
Natal, 2013
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