1979. Votação final do Projecto Lei
n.º 157/1, Bases Gerais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Aprovado com votos a
favor do PS, PCP, UDP e um Deputado
Independente. Abstenção na generalidade e voto contra na especialidade do PSD e
do CDS (ver em extracto da acta da sessão plenária da Assembleia da República,
de dia 29 Junho de 1979, com o resultado da votação final global da Lei de
Bases do Serviço Nacional de Saúde). Nessa altura uma parte da classe médica e
a própria Ordem dos Médicos manifestaram-se contra o projecto Lei tornado Lei.
Mas a democracia impôs-se.
A História, esse refrescar da
memória, é sempre útil para entender o que está para além da espuma dos dias. E
percebe-se assim quão falacioso é o argumento de que entre PS, PSD e CDS há uma
histórica e permanente "comunidade de interesses"...
Em 1990, a direita fez aprovar uma
Lei de Bases da Saúde (e significativamente não do SNS) que referia um Sistema
Nacional de Saúde e não um original SNS. O primeiro englobaria também as
instituições privadas da saúde, e as convencionadas, a quem se atribuía um
papel importante na prestação de cuidados de saúde aos portugueses, fora das
entidades públicas.
Em 1979 não foi comum o sentido de
voto da legislação sobre a saúde por parte dos partidos do (mais tarde) chamado
“arco da governação”, como não foi em 1990. E em 2015? Há quem queira que haja inúmeros
pontos de contacto, uma espécie de caminho do fatalismo histórico, que colocará
propostas divergentes desses partidos na mesma direcção, o do “interesse
nacional”.
PSD e CDS estão há meses a repetir a mentira do crescimento e
a ladainha da recuperação económica, da diminuição do desemprego e do aumento
das exportações e do investimento. Na verdade, toda essa construção é falsa e
não corresponde à verdade. Mas seria
possível ao PS acreditar nessa construção, ou alinhar nessa mistificação, após
um longo e cruel período de “austeridade”?
Há quem
aposte há muito na mera alteração de protagonistas, uma alternância sem
alternativa. Mas perante a simples hipótese disso não ser desta vez assim, a
direita entrou em pânico, e recorreu ao estendal de meios ao seu alcance
(manipulação, chantagem, mentiras). O debate das ideias, contudo, saiu do seu
espaço de excelência, dos condicionalismos dos debates mediáticos entre primos
e afilhados, que nos garantem de ciência certa que 3+2 são quatro, ou que as
classes populares são despesistas. O debate, a POLITICA, vai para o Parlamento
e para a Rua!
E com
ela vai a concepção democrática de que um voto é um voto, independentemente de
ser o voto de Ricardo Salgado ou o voto do continuo menos qualificado do seu ex-Banco.
E que as maiorias constituídas são constitucionalmente legitimas no exercício
do poder, ao contrário de minorias abençoadas por deuses terrenos.
E por
mais choradeira ou sentimento de vazio de poder que a direita sinta, relembro o
poeta que disse que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola
colorida entre as mãos de uma criança. Nem que seja a negociação de um programa
mínimo que incida fundamentalmente nos rendimentos. Podendo ser mais, muito
mais. Queiram os homens, independentemente do que pensem ou façam os vendilhões
do templo, os altos sacerdotes, ou os imperadores estrangeiros.
Portugal
é dos portugueses!
CR
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