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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

PERITOS NORTE-AMERICANOS PROGNOSTICAM COLAPSO DA ARÁBIA SAUDITA



O sítio norte-americano Defense One referiu que os estrategas norte-americanos preparam-se para se confrontar com as consequências de um possível colapso da Arábia Saudita.

Os autores do artículo Sarah Chayes e Alex de Waal referem que a Arábia Saudita não é um Estado mas uma empresa política com um modelo económico insustentável e uma organização criminal que funciona de forma vertical. De qualquer forma, esse sistema não pode durar e os estrategas norte-americanos começaram a preparar-se para o seu colapso.

Em recentes conversas com pessoas militares e do governo, assinala a publicação, eles manifestaram a sua crença de que o sistema saudita se derrubará mais cedo que tarde.
Eles referem que o rei saudita é como o director executivo de uma empresa familiar que utiliza os ganhos do petróleo para comprar a lealdade política dos seus súbditos e dos próprios membros da família real. Estes últimos recebem quantidades de dinheiro e concessões comerciais e os principais bens públicos a preços módicos e empregos públicos bem remunerados.

No exterior, o regime saudita gastou milhares de milhões de dólares para promover o Wahabismo, um ramo extremista e intolerante do Islão, de que surgiu a Al Qaeda e o ISIS.
A política económica está agora nas mãos do príncipe Mohammed bin Salman, de 30 anos, cujo pai, o rei Salmán, lhe passou a gestão da maioria dos assuntos de Estado, provocando assim a ira de outros príncipes.

Mohammed, que é também ministro da Defesa e segundo príncipe herdeiro, lançou-se numa dispendiosa guerra no Iémen e fala em levar a cabo mudanças radicais na economia, como o aumento dos preços da energia, a aprovação de impostos e a privatização das companhias estatais, incluído a Aramco. Este último, conjuntamente com o acordo com outros países produtores para congelar a produção sugerem que o país precisa urgentemente de fundos para evitar a bancarrota.

 OS Estados Unidos julgavam que a família real tinha cofres sem fundo de dinheiro para manter a lealdade dos seus súbditos. Contudo, os baixos preços do petróleo e as enormes aquisições de armas, assim como a aventura militar no Iémen, deixaram Riad sem dinheiro.

Os jovens sauditas temem, pela primeira vez, o desemprego, como assinalou um artículo do New York Times. Os jovens sauditas vêem-se como cidadãos, e não como súbditos ou servos e isso complica ainda mais o exercício de um poder absoluto por parte das autoridades sauditas. De momento, assinala o jornal é a minoria xiita quem expressa reivindicações políticas, mas a maioria sunita, com uma melhor educação do que no passado e uma maior exposição ao mundo exterior, é provável que comece a manifestar cedo os seus desejos de mudança.

Durante décadas, a família real usou a sua enorme riqueza petrolífera para conceder enormes benefícios sociais ao seu povo, em troca da lealdade ao governo monárquico absolutista da Casa de Saúd. Entre os benefícios estavam a Educação e Saúde gratuitas, subsídios á energia e trabalhos estatais bem pagos. Também não havia impostos.

Contudo, a queda dos preços do barril de petróleo para menos de 30 dólares contra os 100 dólares de Junho de 2014 mudou as coisas e rompeu o contrato social que tinha dominado durante muito tempo o reino, assinala o Times. Convém recordar que 90% das receitas do Estado Saudita vem do petróleo.

A mudança já se fez notar na economia. Muitos projectos do governo foram parados e impuseram-se estritos limites de gastos nos ministérios. O governo debate agora a criação de impostos.

Para os sauditas mais jovens _ 70% da população tem menos de 30 anos_ o choque do petróleo significa uma quebra nas suas expectativas de futuro. Eles terão que trabalhar mais do que os seus pais, menos segurança no emprego e receberão salários mais baixos.
O sistema educativo não criou uma classe profissional ou inculcou uma cultura de trabalho duro. A maior parte dos engenheiros e técnicos de saúde são estrangeiros e muitos empregados do governo trabalham poucas horas por dia.

Contudo, com as receitas petrolíferas caindo e com mais jovens alcançando a idade de trabalho a cada dia, o sector publico já não pode sustentar essa despesa. Isso empurra os sauditas para o sector privado, onde a segurança de emprego e os salários são mais baixos.


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