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quinta-feira, 26 de abril de 2018

AM PAREDES - 25 DE ABRIL DE 2018


INTERVENÇÃO

Neste dia 25 de abril de 2018, é com orgulho e satisfação que como autarca eleito pela Coligação Democrática Unitária – CDU respondo com este depoimento ao amável convite da Câmara Municipal de Paredes, nomeadamente da senhora vereadora Dr.ª Beatriz Meireles.

 Comemorar Abril é comemorar uma data com importante significado na História do País, com consequências evidentes no destino de Portugal e dos Portugueses. Com a chamada Revolução dos Cravos, abriram-se portas até então fechadas. Surgiu a Liberdade e a Democracia, em todas as suas expressões cívicas e politicas e aos portugueses foram entregues as chaves de acesso ao seu futuro. Surgiu igualmente a Paz libertadora, dentro e fora do espaço geográfico nacional. Abril foi utopia, poesia, sonho, e projecto, sem dúvida; mas foi também proposta concreta, direitos conquistados, progresso alcançado, afirmação individual e colectiva.

Com Abril e sempre na luta, conquistamos o salário mínimo, o direito á Segurança Social, o acesso a um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, a Escola Pública.  

Para uma geração como a minha, então jovem espectador e modesto actor dessa mudança, foi um desafio entusiasmante, um compromisso permanente, uma oportunidade de ser protagonista efectivo da História. Foram tempos exigentes, conflituais certamente mas também inevitavelmente, foram tempos de umas (ou várias) inequívocas verdades, sinceridades e frontalidades. O poder do povo preencheu as ruas e mais tarde as instituições.

O Poder Local Democrático criado, de que eu e muitos de nós somos tributários agentes, foi terreno onde muitos ainda poderão ver reflectidos essas nobres intenções, o trabalhar com o povo e no interesse do povo através dos órgãos democráticos eleitos.

É este Abril que aqui festejamos. É este Abril que aqui recordamos.

Mas mal estaríamos se não identificássemos as perversões, as contradições, ou silenciássemos o não cumprimento das esperanças tão festivamente propaladas. A vida, dinâmica e por vezes tão contraditória, trouxe amplas surpresas negativas, evoluções incompreensíveis.

A Banca, entretanto nacionalizada no decurso da revolução e posteriormente generosamente privatizada, revelou-se para muitos um cancro que ciclicamente esbulha a riqueza nacional e portanto o rendimento dos portugueses. E a oligarquia financeira não hesitou em sequestrar os governos. Impondo-lhes a sua estratégia e a sua impunidade.

O aparelho de Estado foi usado muitas vezes como fonte e instrumento de acesso privilegiado a negócios particulares, funcionando com uma Administração Pública cega e acrítica e encontrando sempre alguns políticos disponíveis para parcerias com a ilegalidade e a fraude. Nunca foi tão directo (e pantanoso) o caminho entre quem decide e quem lucra.

O próprio Poder Local estagnou ou se desvirtuou, respondendo muitas vezes mais a impulsos conjunturais e menos a necessidades estruturais e fundamentais, com delegações de competências a nível superior e para compartimentos inferiores, não conformes com espírito de Abril.

Não esquecemos a extinção de freguesias, essa malfadada reorganização administrativa que afastou as populações e seus interesses dos seus eleitos.

Paredes é um bom exemplo, de responsabilidades assumidas que se mostraram financeiramente desastrosas, hipotecando o presente e o futuro, de patológicos projectos megalómanos e de taxas de execução de actividade não conformes a documentos previsionais.

Como aceitar, ao recordar Abril, que as principais figuras do Estado afirmem compreensão com “razões” e “oportunidade” de actos perigosos de guerra, contrários á lei internacional e aos interesses dos povos, como o recente na Síria, atrelando o País a encenações e montagens propagandísticas, e a lideranças insensatas e mentirosas?

Como aceitar, ao recordar Abril, que haja tantos governantes ou ex-governantes envolvidos em processos judiciais de gravidade nunca vista, tanta corrupção e impunidade, que leva até um ex-primeiro ministro a afirmar ufano que a vaidade é que move os políticos.

Como aceitar, ao recordar Abril, que o cidadão seja colocado, quando no desemprego, na velhice, na doença, ou na deficiência, em situação de fragilidade ou vulnerabilidade, porque o Estado não faz os investimentos necessários nas áreas sociais, respondendo apenas a uma estrita lógica de “equilíbrio orçamental”, exigida por interesses estrangeiros?

Viva Abril! Viva um Portugal de Liberdade, de Justiça e de Independência Nacional!

Cristiano Ribeiro

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