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segunda-feira, 17 de junho de 2013

O PESADELO DE UM CRISTÃO-NOVO CONVERTIDO

O título bombástico (“Professores chumbados”) diz tudo. A publicação no JN não admira, afinal o seu autor é Subdirector do Jornal. Mas confesso que me impressionou a sua radicalidade.

Conheci o seu autor em tempos juvenis. Era então Jorge Fiel um fogoso militante da LCI, uma organização trotskista onde predominava Louçã. Recordo-o em imagens na vizinhança do Liceu Alexandre Herculano ou na Praça Parada Leitão, frente ao Café Piolho, junto da Reitoria, cabelo comprido, ar de romântico sonhador, embebido de paixão revolucionária. O jornalista em que se tornou pareceu-me ser menos impressivo, um misto de liberal anárquico, rumando ao serviço da corrente maioritária, bajulador de poderes fácticos. Fez carreira, chegou á direcção de publicação do empresário Joaquim Oliveira.

No artigo citado, Fiel fala de pesadelos de ex-universitários. Mas acima de tudo fala de uma obsessão: os professores e as suas reivindicações, a “Função Pública”, a FENPROF, Mário Nogueira, a CGTP. A lista parece longa, mas tudo se resume a um pouco discreto acerto de contas de Fiel com o seu passado. Fiel é coerente na radicalidade, só lhe inverteu o sentido.

Diz o autor que Mário Nogueira e a FENPROF “estão a aproveitar-se do facto da época de exames ser de nervosismo e ansiedade”, “tornando “reféns” ou “escudos” os 275.000 alunos do secundário. Realce-se a “discursata” pidesca que sublinha sempre um rosto como o “culpado” e quando não é só um rosto é uma organização a “abater”, seja ela a FENPROF seja uma CGTP a “manter o seu Alentejo profissional que é a Função Pública”, aqui claramente o tom provocatório.

Mas ao actual Fiel não se pede que simpatize com as reivindicações dos professores, nem se interrogue com as dinâmicas generalizadas de protesto de uma classe e da pluralidade dos seus representantes. Só não se admite que não as conheça ou reconheça, como o direito ao emprego em primeiro lugar e a condições de trabalho profissional. Nos gabinetes do JN talvez se pense que a Administração Pública é lugar de “conforto” e de “emprego assegurado”, a que se deve estender politicas de desemprego fácil, desmotivação profissional, instabilidade e redução de direitos.

Por fim, perdoem-me, a ignorância científica e a jactância são fatais. Diz o ex-trotskista, convertido em cristão-novo das políticas de Gaspar, que a greve é um medicamento (outrora diria que era uma arma). É uma comparação serôdia. O exemplo do “hipotensor” (a greve) letal para doentes de tensões baixas (os estudantes) é ridículo. Não há “hipotensores”, há anti-hipertensores, que na sua grande maioria não têm efeito em situação de normalidade ou baixa de tensões. A “greve” de Fiel é um seu pesadelo nocturno. Os “doentes das tensões baixas” são igualmente irreais.

A greve só é eficaz se resultar de um processo de consciencialização da classe nos seus direitos, em objectivos precisos e estratégicos, instrumento a usar contra prepotências, politicas erradas ou injustiças. Mas isso não interessa a Fiel.

CR

segunda-feira, 13 de junho de 2011

a hipocrisia de uma exclusão


















O mesmo texto, diferentes destinatários (Alice Vieira, Honório Novo, Óscar Mascarenhas)...e a resposta acertada de Honório Novo

Exmo. Senhor

Dr. Manuel Tavares, Director do JN

Rua Gonçalo Cristóvão, 195-219

4049-011 PORTO

Matosinhos, 13 de Junho de 2011

Senhor Director do JN

Acuso a recepção do seu correio electrónico de 7 de Junho, através do qual tomei conhecimento da cessação da colaboração regular que mantinha com o JN desde 2005, e que também encerra a opinião que de forma menos regular mas sempre informal detive no jornal há (talvez) cerca de outros dez anos. Numa época em que este género de decisões é, frequentemente, transmitida por sms, registo o facto de ela ter sido feita através de um mail! Não consigo, contudo, esquecer os tempos em que directores desse jornal me falavam de viva voz e comigo acertavam o presente e futuro, individual e colectivo. Todavia, nunca me convidaram para lhes abrir a porta dos gabinetes sem me anunciar…

Lamento a decisão editorial do JN. Não a lamento no que ela me possa afectar pessoalmente mas no que vai privar os leitores do JN do contacto nacional regular com uma opinião que publicamente dava corpo a uma corrente partidária que agora fica sem voz no JN, (nem, tão pouco, em nenhum dos outros principais órgãos de comunicação social do Grupo Controlinveste, o DN e a TSF). Entretanto, tomei conhecimento mais concreto, pela edição do JN do passado sábado, das razões que terão motivado a Direcção do JN. Registo, a título de exemplo, o facto de ser presidente de um serviço municipal por acto de estrita nomeação política de uma coligação partidária no poder não constituir, para o Sr. Director do JN, desempenho activo de cargo político/partidário…

Concordará também comigo se acrescentar que a lacuna que pensadamente o JN vai criar não será ultrapassada pela audição – bem esparsa, como bem reza a história – das minhas opiniões, (e de outros públicos representantes da minha corrente de opinião partidária), “a propósito dos vários temas e assuntos da vida real”. Até porque, sublinhe-se-se, estas têm num jornal função e objectivos diversos.

Vou ansiosamente, Sr. Director, aguardar que esta decisão e o novo naipe de colaboradores sirvam, ao menos, para “aconchegar a opinião publicada pelo JN às razões de proximidade que fizeram dele o sítio onde as pessoas encontravam refúgio e ganhavam voz para os grandes desafios e trabalheiras do quotidiano” (…)!

Sempre ao seu dispor, cumprimenta-o

(Honório Novo)

PS. Com conhecimento ao Presidente do Grupo Controlinveste e divulgação pública.