um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA
quarta-feira, 4 de abril de 2012
a "modernidade"

Henrique, o muderno...

Certamente pela enésima e infelizmente não última vez, ouvi ontem uma criatura de nome Henrique Monteiro (ao que me dizem licenciado em Jornalismo, ex esquerdista convertido ao neoliberalismo pragmático e residente nas páginas do Jornal Expresso) dizer, entre outras parvoíces e superficialidades, que o PCP está a envelhecer...e já há muitos anos. A tertúlia, onde perora esta ave mediática, não contestou este disparate, entretida com a espuma da politica portuguesa. Não percebe o “jovem” Monteiro que todos (e só) os organismos VIVOS envelhecem, e adquirem naturalmente anos de existência, sabedoria e experiência com o decorrer do tempo. É a lei da vida. Para o PCP também.
Todos? Todos, não! Monteiro por exemplo não envelhece, fossiliza. O Jornal em que trabalha Monteiro não envelhece, amarelece. As ideias de Monteiro sobre o PCP embolorecem, já que possuem a frescura e a actualidade de compêndio médico-cirúrgico do século XIX.
A "modernidade" de Monteiro é outra. É a que se traduz numa profunda irritação para os que lutam pela sua terra, pelos seus interesses, pela coesão social e territorial, pelo futuro das gerações mais novas. Daí os "joguinhos" politicos, a discriminação, a injúria, o silenciamento. Daí o preconceito, o salazarismo bafiento da voz ao serviço do dono. Daí a “independência” e a “modernidade” de Monteiro e quejandos.
O PCP está no outro lado da barricada da “modernidade”! O PCP num fim-de-semana sem igual comemora o seu aniversário, mobiliza autarcas e muitos milhares de cidadãos para uma manifestação nacional em defesa de freguesias, mobiliza jovens para uma manifestação nacional em defesa dos seus direitos, assegura iniciativas de utentes em defesa do SNS e de serviços públicos. Há um PCP suficientemente jovem, activo e atrativo para irritar Monteiro.
terça-feira, 3 de abril de 2012
noticias da guerra social
Dizem que são democratas-cristãos ...
Sabendo-se que os doentes gastam menos, bem podem levar mais um corte de 10 ou 5% no subsidio!
No Público online : «(...) De acordo com o jornal, no caso do subsídio por doença serão agora criados vários escalões, que começam em 55% da remuneração de referência para baixas inferiores a um mês e sobem para 60%, nos casos de baixa entre um mês e 90 dias.(...)»
Sabendo-se que os doentes gastam menos, bem podem levar mais um corte de 10 ou 5% no subsidio!
No Público online : «(...) De acordo com o jornal, no caso do subsídio por doença serão agora criados vários escalões, que começam em 55% da remuneração de referência para baixas inferiores a um mês e sobem para 60%, nos casos de baixa entre um mês e 90 dias.(...)»
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Registo da História
Em 25 de julho de 1997, publiquei no extinto Jornal Novas do Vale do Sousa, edição n.º167, um artigo de opinião que transcrevo. O tema continua infelizmente actual - a Regionalização.
O Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira Arménio Pereira, em pleno acto formal da inauguração de uma sede de Junta de Freguesia do seu concelho, afirmou-se, surpreendentemente, um regionalista convicto. Reconheça-se a evolução no discurso e na orientação. Recordo, em período anterior de discussão sobre a regionalização, a sua postura contrária a este processo, baseada no associativismo municipal espontâneo que resolveria os problemas das populações. Contra espaços político-administrativos definidos, partilhando recursos, Arménio Pereira contrapunha associações de municípios de partilha de afinidades e problemas.
Verifica-se agora que Arménio Pereira reconhece, por exemplo na saúde, a necessidade de um poder regional que tenha competências que ultrapassam as dos municípios mesmo que associados. Falaria na gestão de equipamentos, redefinição de Centros de Saúde e da sua operacionalidade, criação e avaliação de programas para toxicodependentes, doentes com SIDA, etc. Sem dúvida, há áreas (e continuando a falar da saúde como exemplo) em que a gestão municipal se encontra incapaz de dar resposta por si própria, mas, porque contacta directamente com o serviço e o utente, reconhece que as políticas actuais deveriam ter um outro dinamismo e impacto. Um poder descentralizado, democrático, legitimado e responsabilizado é condição de progresso das regiões e do todo nacional.
Arménio Pereira acompanha agora todos os que nas funções de Presidente da Câmara, conhecedores profundos das suas competências e das suas responsabilidades centrais, sabem que áreas de importância social e de desenvolvimento são demasiado abrangentes para uma administração local e demasiado específicas para serviços centralizados. São as áreas da cultura, da educação, da saúde, do ambiente, do ordenamento do território, do equipamento social e do desenvolvimento económico.
Fora deste contexto, o que fica com uma regionalização em banho maria é o poder “alisbonado” ou lisboeta, a percepção do país visto do centro, a divisão capital - províncias, a divisão entre a imagem e a realidade, a divisão entre as pessoas e o território, as necessidades prementes do litoral e das grandes cidades e as necessidades intemporais do interior e do mundo rural.
E as notícias são esclarecedoras. A falta de empenhamento num processo negocial e reivindicativo junto da Administração Central, o processo de relações actualmente existente entre municípios e o Poder Central, dá uns míseros 53,4 milhões de contos do PIDDAC regionalizado para o Distrito do Porto. Promessas são muitas, tanto as vistas com pompa e circunstância, mas orçamento e concretização são poucos e tardios. Ao mesmo tempo que se aprova e financia a extensão do Metro de Lisboa a Odivelas, no valor de dezenas de milhões de contos, num processo que satisfaz municípios como o de Loures, o próprio Metropolitano e o Governo Central, discute-se no Porto como grande obra (!) uma Marina, de custos que oscilam entre 80.000 contos e 800.000 contos, com estudo “ a iniciar em breve” sobre a viabilidade económico-financeira do empreendimento, enquadramento urbano, impacto ambiental, etc.
E as parangonas na comunicação social não disfarçam o insustentável. Veja-se o alcance social das duas realizações, compare-se a dinâmica reivindicativa. Com a regionalização, novos líderes aparecerão, mais convictos, menos submissos, menos dependentes da observação do seu umbigo. Os velhos líderes e as suas cumplicidades locais irão … à vela.
O Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira Arménio Pereira, em pleno acto formal da inauguração de uma sede de Junta de Freguesia do seu concelho, afirmou-se, surpreendentemente, um regionalista convicto. Reconheça-se a evolução no discurso e na orientação. Recordo, em período anterior de discussão sobre a regionalização, a sua postura contrária a este processo, baseada no associativismo municipal espontâneo que resolveria os problemas das populações. Contra espaços político-administrativos definidos, partilhando recursos, Arménio Pereira contrapunha associações de municípios de partilha de afinidades e problemas.
Verifica-se agora que Arménio Pereira reconhece, por exemplo na saúde, a necessidade de um poder regional que tenha competências que ultrapassam as dos municípios mesmo que associados. Falaria na gestão de equipamentos, redefinição de Centros de Saúde e da sua operacionalidade, criação e avaliação de programas para toxicodependentes, doentes com SIDA, etc. Sem dúvida, há áreas (e continuando a falar da saúde como exemplo) em que a gestão municipal se encontra incapaz de dar resposta por si própria, mas, porque contacta directamente com o serviço e o utente, reconhece que as políticas actuais deveriam ter um outro dinamismo e impacto. Um poder descentralizado, democrático, legitimado e responsabilizado é condição de progresso das regiões e do todo nacional.
Arménio Pereira acompanha agora todos os que nas funções de Presidente da Câmara, conhecedores profundos das suas competências e das suas responsabilidades centrais, sabem que áreas de importância social e de desenvolvimento são demasiado abrangentes para uma administração local e demasiado específicas para serviços centralizados. São as áreas da cultura, da educação, da saúde, do ambiente, do ordenamento do território, do equipamento social e do desenvolvimento económico.
Fora deste contexto, o que fica com uma regionalização em banho maria é o poder “alisbonado” ou lisboeta, a percepção do país visto do centro, a divisão capital - províncias, a divisão entre a imagem e a realidade, a divisão entre as pessoas e o território, as necessidades prementes do litoral e das grandes cidades e as necessidades intemporais do interior e do mundo rural.
E as notícias são esclarecedoras. A falta de empenhamento num processo negocial e reivindicativo junto da Administração Central, o processo de relações actualmente existente entre municípios e o Poder Central, dá uns míseros 53,4 milhões de contos do PIDDAC regionalizado para o Distrito do Porto. Promessas são muitas, tanto as vistas com pompa e circunstância, mas orçamento e concretização são poucos e tardios. Ao mesmo tempo que se aprova e financia a extensão do Metro de Lisboa a Odivelas, no valor de dezenas de milhões de contos, num processo que satisfaz municípios como o de Loures, o próprio Metropolitano e o Governo Central, discute-se no Porto como grande obra (!) uma Marina, de custos que oscilam entre 80.000 contos e 800.000 contos, com estudo “ a iniciar em breve” sobre a viabilidade económico-financeira do empreendimento, enquadramento urbano, impacto ambiental, etc.
E as parangonas na comunicação social não disfarçam o insustentável. Veja-se o alcance social das duas realizações, compare-se a dinâmica reivindicativa. Com a regionalização, novos líderes aparecerão, mais convictos, menos submissos, menos dependentes da observação do seu umbigo. Os velhos líderes e as suas cumplicidades locais irão … à vela.
domingo, 1 de abril de 2012
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