um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 30 de março de 2014

DIVERSÃO E DIVISÃO

A discussão foi lançada há uns anos pela Ordem dos Enfermeiros e conheceu neste domingo mais um episódio. O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, admitiu, em declarações ao Diário de Notícias, que o alargamento de competências dos enfermeiros deve ser estudado, nomeadamente a possibilidade de estes profissionais de saúde virem a prescrever alguns exames e a renovar receitas.
O bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, louvou as declarações, enquanto o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, voltou a mostrar-se contra a medida.
“É uma matéria que deve ser estudada e aprofundada sem qualquer limitação”, defendeu Leal da Costa, lembrando que outros países já o fizeram, deixando os médicos livres para outras funções essenciais.
Na saúde materna, a lei permite desde Março de 2009 que os enfermeiros obstetras façam vigilância das grávidas de baixo risco e lhes prescrevam exames, mas essas competências não têm sido exercidas na prática porque o Estado não financia os exames pedidos por estes profissionais.
Em 2012, na sequência de uma petição que recolheu mais de mil assinaturas, o Ministério da Saúde decidiu criar um grupo de trabalho com representantes da Direcção-Geral da Saúde, da Administração Central do Sistema de Saúde e das ordens profissionais dos Enfermeiros e dos Médicos, para avaliar esta questão.
Houvera ponderação e realismo e a Ordem dos Enfermeiros não estaria metida nesta “guerra” de competências, antes bater-se-ia pela VALORIZAÇÃO REMUNERATÓRIA legítima da licenciatura dos enfermeiros, ou pela estabilidade profissional dos contratados precários, ou até pela restauração dos rendimentos dessa classe profissional. Temos assim apenas uma manobra de diversão e divisão, com o apoio da Ordem dos Enfermeiros.
CR

The War on Drugs - Under the Pressure

sábado, 29 de março de 2014

Cete - simples homenagem


Aníbal Barbosa e Arnaldo Barbosa, a presença comunista durante muitos anos na freguesia de Cete. A homenagem singela do colectivo partidário, com música e poesia.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Tindersticks - Show Me Everything

mais pobres, mais desiguais



Os dados, publicados pelo INE no dia 24 relativos à pobreza e às desigualdades, revelam-nos o lado mais desumano e mais cruel da política de austeridade em curso. Este é o retrato de um país cada vez mais pobre e desigual

CAPITALISMO PARA TOTÓS - COLABORADOR

Colaboradores - termo que designa o conjunto das assalariados de uma empresa, independentemente do regime contratual. No essencial, mascara duas dimensões fundamentais das relações sociais capitalistas: a do trabalho e a da exploração.


O colaborador colabora, não trabalha.

O colaborador colabora, não é explorado.

Além disso, o termo não comporta uma dimensão contratual ou referente a relação estável, antes faz uma remissão subentendida para uma situação volátil. O empregado ou trabalhador estão relacionados com o exercício de uma profissão, de um ofício ou de um conjunto de tarefas que exigem determinada perícia. Já o termo colaborador induz uma concepção amorfa, não especializada e efémera. Colaboras hoje, podes não colaborar amanhã.

A colaboração, "co-laboração", contém ainda um significado que sugere voluntarismo e cooperação entre partes iguais, quando na realidade, no contexto capitalista, a relação laboral é de parasitismo e não de cooperação. Apesar de todo o processo produtivo ser cooperativo, porque o é de facto, as relações sociais que o conformam são de exploração entre patrão e trabalhador e, muitas vezes, de competição entre trabalhadores.

Com este termo, o capitalismo alimenta a ideia de que não existe confronto de interesses entre as classes exploradas e exploradoras, num ambiente de colaboração e não de exploração. Mas talvez ainda mais importante, é a forma como neutraliza termos e vocábulos que são utilizados como identificadores de determinadas classes: trabalhadores, operários, proletários. Com esta manipulação dos termos, o capitalismo alimenta a ilusão de que esses termos são coisas do passado e assim esvazia o universo ao qual se aplica a doutrina revolucionária, que é precisamente a esse conjunto.

Miguel Tiago

quinta-feira, 27 de março de 2014

José Afonso - Como Se Faz Um Canalha







Conheci-te ainda moço
Ou como tal eu te via
Habitavas o Procópio
Ias ao Napoleão

Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me não falha
Tinhas o mundo na mão

Alguma gente enganaste
A fé da muita amizade
Tem também as suas falhas
Hoje fazes alianças

A bem da Santa União
Em abono da verdade
A tua Universidade
Tem mesmo um nome: Traição

Um social-democrata
Não foge ao Grão-Timoneiro
Basta citar o paleio
Do major psicopata

Já são tantos namorados
Só falta o Holden Roberto
Devagar se vai ao longe
Nunca te vimos tão perto

Nunca te vimos tão longe
Daquilo que tens pregado
Nunca te vimos tão fora
Da vida do Zé Soldado

Ninguém mais te peça meças
No folgor dos gabinetes
Hás-de acabar às avessas
Barricado até aos dentes

És um produto de sala
Rasputim cá dos Cabrais
Estás sempre em traje de gala
A brincar aos carnavais

Nos anais do mundanismo
A nossa história recente
Falará com saudosismo
Dum grande Lugar-Tenente

São tudo favas-contadas
No país da verborreia
Uma brilhante carreira
Dá produto todo o ano

Digamos pra ser exacto
Assim se faz um canalha
Se a memória não me falha
Já te mandei pró Caetano


Letra e Música: José Afonso
Álbum: Com As Minhas Tamanquinhas (1976)