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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

JUSTIÇA DE CLASSE, JUSTIÇA SEM CLASSE

Julgamento de furto de polvo e champô custa milhares de euros ao Estado

A defesa oficiosa de um acusado pelo furto de uma embalagem de champô e outra de polvo num supermercado, em Fevereiro de 2010, vai custar 260 euros ao Estado.
O furto, no valor de 25,66 euros, que não chegou a consumar-se (o segurança de serviço conseguiu recuperar os artigos), foi alegadamente cometido por um sem-abrigo e aconteceu num Pingo Doce do Porto em Fevereiro de 2010. A sentença é lida esta terça-feira à tarde, quase dois anos depois dos factos.
O advogado nomeado pelo Estado explica que ainda foi à procura do sem-abrigo numa fábrica abandonada do Porto, último paradeiro conhecido, mas nunca o conseguiu encontrar. À TSF, Pedro Miguel Branco, refere que, como em todos as defesas oficiosas de crimes com penas inferiores a cinco anos, neste caso a defesa oficiosa vai custar perto de 260 euros ao Estado.
O advogado diz que é uma «estupidez» levar este tipo de processos a julgamento num tribunal judicial e acrescenta: «São bagatelas penais que só empatam a justiça», pelo que preferia não defender estes casos e abdicar do dinheiro que vai receber por este processo.
O advogado do Porto acrescenta que para além dos 260 euros da defesa oficiosa, o Estado vai gastar, no total, alguns milhares de euros. Basta juntar, explica, «os dias de vencimento do funcionário judicial, do magistrado do ministério público, do juiz e uma tarde ou manhã que a PSP andou à procura do sem-abrigo em vez de andar a combater a criminalidade violenta».

Isaltino Morais, perante esta notícia, terá afirmado: "Não há pachorra para esta concorrência desleal. Quem nasce pindérico, não deveria retirar o protagonismo de quem faz pela vida."
Duarte Lima manifestou mais uma vez a sua inocência: "Nunca chegaria a esses níveis de deliquência. Polvo não gosto e champô não preciso". Armando Vara, afirmou assertivamente: "Ainda se fossem uns robalinhos!". Já Cavaco Silva, pesaroso, anteviu o futuro próximo, uma luta desigual entre as necessidades e a vigilância obcessiva dos seguranças das grandes superfícies.
CR

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