O circo foi-se
instalando no terreno ao longo dos tempos, ocupando sempre novos espaços
públicos. Modernizou-se até, há cerca de
20 anos, com uma nova programação, uma nova coreografia baseada em espectáculos
de boulevard e cabaret. O elenco ia-se revezando. Eram trapezistas, funambulistas, equilibristas, ilusionistas. O show repetia-se, surpreendente,
sempre renovado. “Senhores e Senhoras, eis o Circo Portugaaaal!”. O público,
sentado nas mesmas cadeiras de madeira, ria-se e divertia-se mesmo sabendo que
era só circo.
A última
equipa-residente no Circo Portugal é constituída sobretudo por uma trupe de palhaços,
palhaços julgados novos e ricos. Mas são artistas, pouco dotados, desengoçados
e desengraçados. Ultimamente brigavam em público, numa sucessão de golpes e
caneladas, que o público, enfastiado, começou a patear.
Os palhaços deram
agora o último espectáculo. A luz feérica não disfarça o essencial: foi a
despedida.
CR
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