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quarta-feira, 3 de julho de 2013

CIRCO PORTUGAL

O circo foi-se instalando no terreno ao longo dos tempos, ocupando sempre novos espaços públicos. Modernizou-se até,  há cerca de 20 anos, com uma nova programação, uma nova coreografia baseada em espectáculos de boulevard e cabaret. O elenco ia-se revezando. Eram trapezistas, funambulistas, equilibristas, ilusionistas. O show repetia-se, surpreendente, sempre renovado. “Senhores e Senhoras, eis o Circo Portugaaaal!”. O público, sentado nas mesmas cadeiras de madeira, ria-se e divertia-se mesmo sabendo que era só circo.
A última equipa-residente no Circo Portugal é constituída sobretudo por uma trupe de palhaços, palhaços julgados novos e ricos. Mas são artistas, pouco dotados, desengoçados e desengraçados. Ultimamente brigavam em público, numa sucessão de golpes e caneladas, que o público, enfastiado, começou a patear.

Os palhaços deram agora o último espectáculo. A luz feérica não disfarça o essencial: foi a despedida.

CR

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