Dona Maria anda muito agitada. Tem sido um frenesim lá em casa, com a entrada e saída de personalidades, um contínuo corrupio de e para Belém. Tem sido evidente a alteração na rotina diária, perturbada a hora de sesta do seu Aníbal, conspurcado até o azulejo do foyer por pés inquietos de gente “do contra…”.
De momento para outro, os “promissores jovens” do arco “bom” da governação começaram a desentender-se lá em S. Bento, ora saio eu, ora sais tu, e o seu Aníbal acordou estremunhado, com a angústia de saber se ele próprio existia. Por mais que a Dona Maria lhe dissesse que ele existia politicamente (embora em “lume brando”), a dúvida tinha-o forçado, ouvidos os colaboradores, a convocar todos os conhecidos, da rua e arredores, para audiências individuais.
Todos (incluindo o merceeiro, o barbeiro, o jardineiro) confirmaram a sua existência, presentes os clássicos sinais vitais, e a resposta necessária a estímulos. E para testemunhar tal facto, ultrapassada a angústia existencial, Aníbal e colaboradores decidiram organizar em Belém um HAPPENING SURPRESA, a que chamaram o FESTIVAL DA CALDEIRADA DA UNIDADE NACIONAL. Que se divulgasse no País e no Estrangeiro… a iniciativa de Belém!
Os “promissores jovens” do arco “bom” da governação torceram o nariz mas á falta de melhor e sob o risco de uma certa “mobilidade especial” lá se puseram a jeito á volta da panela. O “promissor jovem” do arco “mau” da governação torceu o nariz mas á falta de melhor lá admitiu a “caldeirada” (não a prova, só cheiro, para já).
O povo, faminto, sabe que dos portões dos palácios não passa.
Dona Maria já ameaçou. Se isto continua assim, agitado, volta com o seu Aníbal para Boliqueime para fazer, com todo o tempo do mundo, aguardente de medronho.
CR
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