Sobre
a decisão do Governo português de negar direito de sobrevoo e aterragem ao
avião presidencial boliviano
O Partido Comunista Português condena, nos seus mais veementes termos, a
decisão das autoridades portuguesas, agindo sob a direcção do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, de cancelar e negar a autorização de sobrevoo e
aterragem do avião presidencial da República da Bolívia, onde viajava o
Presidente Evo Morales.
Tal decisão, em linha com as decisões de outros países como França, Espanha
e Itália, pôs em perigo a segurança e a vida do Presidente Evo Morales – cuja
aeronave onde viajava se viu obrigada a realizar uma aterragem de emergência em
Viena, após três horas e meia de voo –, consubstanciando um escandaloso acto de
provocação internacional e de intimidação contra o Presidente de um País
soberano e um acto ilegal à luz da Constituição da República, das convenções
internacionais sobre tráfego aéreo a que Portugal está obrigado, bem como do
Direito Internacional e dos acordos internacionais que dele decorrem sobre
imunidade diplomática dos Chefes de Estado.
As alegações usadas para tentar justificar este acto de que Edward Snowden
estaria a bordo da aeronave presidencial são totalmente inaceitáveis e
deploráveis. Da decisão do Governo português ressalta mais uma vez a completa
subserviência face aos interesses, manobras e pressões dos EUA, da NATO e da União
Europeia.
A demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que terá
tomado esta decisão, e a iminente queda do Governo não podem servir de pretexto
para a ausência de cabais explicações por parte do Governo português, nem
poderá servir para que não se apurem todas as responsabilidades políticas e
legais desta decisão.
O PCP exige do Governo Português um imediato pedido formal de desculpas ao
Presidente Evo Morales e ao Estado da Bolívia, bem como a abertura de um
inquérito que esclareça todos os contornos desta vergonhosa e inaceitável
decisão.
Gabinete de imprensa
do PCP
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