Este é um País em trânsito. Explico. O autarca eleito da
Junta de Freguesia de Castelo de Neiva, em Viana do Castelo, é um jovem
arquitecto que soube da sua eleição no lado de lá do Atlântico, no Canadá, para
onde emigrara recentemente. Já anteriormente, dois outros autarcas da freguesia
tinham abandonado os órgãos autárquicos por onde foram eleitos para se
ausentarem para o Canadá. Agora, o mesmo triste fado da emigração, com a
circunstância estranha de o eleito do PSD se candidatar a cargo que sabe que
não exercerá, não ter feito campanha presencial, nem ter participado da sua
eleição. Mesmo assim o povo de Castelo de Neiva deliberou pela sua eleição.
Acto de irresponsabilidade colectiva, dirão uns. Fidelidade partidária a toda a
prova, invocarão outros. Expressão democrática da vontade popular, desculparão
outros.
Tenho por mim que Castelo de Neiva está profundamente doente.
E assim sendo, não havendo no local vozes sensatas que atenuem o mal, temo que
na próxima eleição em Castelo de Neiva, se candidate não um ausente mas um
morto. Crédulo, seguro das suas tamanquinhas, haverá sempre quem na freguesia
de Viana do Castelo acredite na ressurreição. O problema estará na fotografia
dos outdoors.
CR
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