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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

a família Espirito Santo, donativos e a campanha presidencial de 2006

Os donativos confiados por Ricardo Salgado e vários administradores do Banco Espírito Santo à campanha de Cavaco Silva para as presidenciais ultrapassaram os 152 mil euros, o que representa sete por cento do financiamento total obtido. Segundo a edição desta quinta-feira do Diário de Notícias , que consultou no Tribunal Constitucional as contas da campanha de 2006, o antigo número um do BES doou a quantia máxima então permitida por lei: 22.482 euros.

Além de Ricardo Salgado, outros quatro administradores do Grupo Espírito Santo, entre os quais António Ricciardi (ex-presidente do BES), José Manuel (ex-administrador) e Manuel Espírito Santo (ex-presidente da Rioforte), optaram pelo donativo máximo na campanha que levou Cavaco Silva a Belém pela primeira vez. Já José Maria Ricciardi (presidente do BESI) doou 15 mil euros. 

A estes valores juntam-se os donativos máximos doados por Rui Duarte Silveira (ex-presidente da Assembleia-Geral da ESAF), José Manuel Ferreira Neto (ex-presidente do Banco Internacional de Crédito SA, participada a 100 por cento pelo BES) e do já falecido acionista histórico do GES, Mário Mosqueira. “Além de serem homens-fortes do universo BES, os cheques deste três destacados membros chegaram à campanha no mesmo dia dos de Ricciardi e Ricardo Salgado, 21 de novembro de 2005”, sublinha o Diário de Notícias. 

Recorde-se que em janeiro de 2004 o jornal Expresso noticiava que Cavaco Silva tinha sido o convidado de um jantar em casa de Ricardo Salgado - no qual estiveram também presentes Durão Barroso e Marcelo Rebelo de Sousa -, onde o banqueiro terá pressionado o atual Presidente da República a candidatar-se a Belém nas eleições que decorreriam em 2006. 

No entanto, o BES não foi a única instituição bancária a doar verbas à campanha eleitoral de Cavaco Silva. João Rendeiro (então líder do BPP) também doou o valor máximo permitido por lei (22.482 euros), Horácio Roque (à data líder do BANIF) ofereceu 20 mil euros à campanha de Cavaco Silva e Paulo Teixeira Pinto (então presidente do BCP) doou cinco mil euros. 

Soares não recebeu donativos dos Espírito Santo

Cavaco Silva não foi o único candidato a receber apoios à sua candidatura por parte da banca e outros banqueiros optaram por dividir os seus donativos por dois candidatos, apoiando Cavaco Silva e Mário Soares. 

Um deles foi Jardim Gonçalves (antigo homem-forte do BCP), que dividiu o valor de 20 mil euros pelos dois candidatos. José Oliveira e Costa (ex-presidente do BPN) doou 15 mil euros para a campanha de Cavaco Silva e 2.500 euros para a campanha de Mário Soares. Já Abdul Vakil (ex-presidente do BPN) doou 5.000 euros a Cavaco Silva e 2.500 à campanha de Mário Soares.

As campanhas de Manuel Alegre, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira não receberam qualquer donativo da banca.

Empresários também apoiaram campanhas

Além do apoio da banca, os candidatos às presidenciais também contaram com o apoio de grandes empresários do país. Segundo o Diário de Notícias, “nas contas presidenciais de 2006 – as de 2011 ainda aguardam publicação do acórdão – é ainda de registar os donativos feitos por José Guilherme (cuja prenda de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado levou à detenção do antigo presidente do BES no processo Monte Branco). O construtor da Amadora e a família fizeram donativos a Cavaco Silva de 55 mil euros na campanha de 2006”.

“Em 2006, José Guilherme doou 20 mil euros para a campanha de Cavaco Silva, nem cheque que chegou à campanha no dia 9 de janeiro de 2006, o mesmo em que sua mulher (Beatriz Conceição Veríssimo) doou igualmente 20 mil euros. Passados 11 dias foi a vez do filho de José Guilherme, Paulo Guilherme, doar 15 mil euros”, acrescenta o jornal. 

Recorde-se que Paulo Guilherme é um dos acionistas de referência da Caixa Económica Montepio Geral que tem estado a ser alvo de uma auditoria forense a pedido do Banco de Portugal para apurar o nível de exposição que o banco tem ao Grupo Espírito Santo.


Além de José Guilherme, outros empresários de vários ramos apoiaram a corrida de Cavaco Silva a Belém em 2006, a mais financiada por empresários, entre os quais: Américo Amorim (Grupo Amorim), João Pereira Coutinho (SAG), Dionísio Pestana (Grupo Pestana), António Mota (Mota-Engil), Manuel Fino (SDC Investimentos), Manuel Violas (Solverde) e Nuno Vasconcelos (Ongoiong). 

Soares angariou 693 mil euros

A campanha de Mário Soares, que conseguiu angariar 693 mil euros em donativos pecuniários, contou com o apoio dos empresários: Francisco Murteira Nabo (presidente não executivo da Galp), que doou dez mil euros, Jorge Armindo (presidente do Grupo Amorim Turismo), que ofereceu dez mil euros, e do empresário macaense Stanley Ho, que doou 20 mil euros (o mesmo valor que ofereceu à campanha de Cavaco Silva), entre outros.

De salientar que dois empresários doaram à campanha de Mário Soares o valor máximo permitido por lei (22.482 euros), Rui Nabeiro (administrador da Delta) e o empresário Ilídio Pinho. 

Os outros candidatos a Belém na campanha eleitoral de 2006 também receberam apoio. Manuel Alegre, que se apresentou como candidato independente, recebeu 236 mil euros em donativos. Jerónimo de Sousa, apoiado pelo PCP, conseguiu angariar 18.575 euros. 


Já o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, recebeu 9.979 euros em donativos e Garcia Pereira, apoiado pelo MRPP, chegou a um valor angariado de 22.489 euros. 

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