Transcrevo um comentário blogista ás posições de quem se coloca ao lado do imperialismo norte-americano na ofensiva contra a liderança síria, a pretexto de direitos humanos. Oportuno e didático.
Caro Daniel Oliveira,
A sua posição é que não tem posição nenhuma. Você é uma catraia perdida nas opiniões da moda e da circunstância. O seu texto é uma salsada de verdades misturadas com mentiras. O seu texto ignora olimpicamente a nova Constituição em vigor, ignora as eleições legislativas marcadas para Maio, ignora as eleições presidenciais marcadas para 2014. Ainda tem a lata de dizer que a Síria é a ditadura árabe mais brutal e sanguinária?!?!?! E juízo?!?!?
Toda as pessoas minimamente inteligentes já perceberam o que se está a passar. Os partidos progressistas sírios já perceberam o que se está a passar e o que está em causa. O ‘Concelho Nacional Sírio’ e o ‘Exército Sírio Livre’ são a primeira fase de uma guerra de ocupação – eles não representam nenhum sector da sociedade síria que não os salafistas mais reaccionários da Irmandade Muçulmana (completamente dominados pelo imperialismo).
Só há uma posição justa, porque tacticamente, perante o cenário que está colocado, é aquela que pode evitar a ocupação da síria pela NATO: 1) cerrar fileiras com o regime sírio e apoiar o seu Presidente Bashar al-Assad; 2) defender o aprofundamento das reformas como moeda de troca; 3) combater a Irmandade Muçulmana e o imperialismo sem dó nem piedade!
Na Síria, ao contrário do que os Oliveiras deste mundo dizem, não existe massacre nenhum. O que existe é uma guerra. E a partir do momento em que decidiram pegar em armas, ficaram automaticamente ao abrigo das leis da guerra. Os únicos direitos que têm, se foram capturados com vida, estão nas Convenções de Genebra.
O Daniel Oliveira coloca-se, desta forma, ao lado da NATO (Turquia, França, EUA, Inglaterra), coloca-se ao lado de Israel, da Arábia Saudita, do Qatar, da Jordânia, da Irmandade Muçulmana, coloca-se ao lado do Sheikh Qaradawi e do Sheikh Al-Arour. O Daniel serve os interesses do imperialismo, do wahabismo. O Daniel coloca-se ao lado dos traidores da causa palestiniana.
A Síria e o Ba’ath têm, obviamente, muitos defeitos. Mas tacticamente, não interessa às forças progressistas que caia. É dos poucos regimes fora da órbita da NATO, são os únicos árabes a financiar a Resistência Iraquiana, a financiar o Hezbollah, a financiar as FPLP, e até a financiar o Hamas (que como se sabe, foi fundado pela Irmandade Muçulmana). São um regime secular e desafio o Daniel Oliveira a encontrar nos países árabes uma Constituição mais progressista que esta nova que entrou em vigor no dia 27 de Fevereiro. Diga lá se é capaz de encontrar um único país árabe, UM ÚNICO!!, onde a emancipação da mulher seja uma orientação constitucional (art. 23.º).
E já chega de paleio..
Miguel Lopes
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