Surpreende pela positiva a posição do Bloco de Esquerda perante os acontecimentos da Síria. Ao contrário de que aconteceu na Líbia, o Bloco conseguiu ver a estratégia imperialista de conquista de espaços e recursos, alicerçado em campanha militar e de propaganda sob as vestes de campanha humanitária e de defesa de direitos humanos e cívicos. As dicotomias do ou tudo ou nada ou do inimigo do meu inimigo meu amigo é deixaram de ser a bússola de avaliação.
Claramente o anti-imperialismo só mobiliza porque há um imperialismo. E nesse particular a Síria está na mira das potências ocidentais e de seus aliados do Golfo, Israel inclusivé. A mentira e a propaganda mediática assolaram as notícias de uma forma escandalosa. Jornalistas e serviços secretos confundem-se e incorporam-se mutuamente.
A defesa da paz e da gestão pacífica dos conflitos e das contradições é possível. Não é esse o fundamento da democracia? E o exemplo líbio, o país mais próspero de África (não disse o mais democrático ou justo!), transformado numa amálgama de poderes tribais e regionais, por vezes em plena Idade Média, deve fazer-nos reflectir. Onde pára a liberdade? Onde pára a justiça? Onde pára a soberania? Onde pára o orgulho nacional?
Uma Síria independente não tem alternativa.
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