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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O MEU MANDELA

Nelson Mandela morreu. Como qualquer homem, ele viveu naturalmente até ao fim da sua existência física. Depois como qualquer homem seria memória, história pessoal ou familiar, imagens ou pormenores dispersos no tempo futuro.

Mas Nelson Mandela não foi um homem qualquer. Era um resistente negro, um revolucionário africano. Atravessou um processo histórico complexo da humanidade, a segregação racial, a discriminação, a desigualdade social, o subdesenvolvimento. Mas não foi simples espectador, ou protagonista menor. Foi líder entre os líderes (Mbeki, Slovo, Hanni, Biko, …), chama, consciência, exemplo.

Invocou para si a razão, alicerçada na vontade de mudar, e blindada por todos os meios, sejam diplomáticos, sejam a organização militante, seja a força das armas e da violência ao seu serviço.

Lúcido, compreendeu que não havia uma só classe de oprimidos, uma só e específica língua ou religião de opressores. Compreendeu também que outros em todo o mundo lutavam em condições diferentes pela sua emancipação e libertação e que esses eram aliados, companheiros de luta, solidários camaradas. A verdade desse apoio necessário passou pelo compromisso e sangue de combatentes cubanos e angolanos e pela solidariedade da URSS, da RDA, de Moçambique e da Líbia de Kadhafi.

Na prisão foi fonte de inspiração, permanente sinal para verdugos e suas vítimas, de que o futuro iria mudar. E quando a barragem da resistência e da contestação ameaçou submergir todos, a sua figura apareceu como salvação de uns poucos e esperança de muitos milhões. E os seus camaradas de luta, fortalecidos por impressivas lições da História, inventaram em condições muito difíceis uma solução nacional, patriótica, uma aliança que perdura entre o ANC e o PC Sul-Africano e a Confederação Sindical COSATU.

E Mandela morre agora, transportando como em qualquer realização humana algumas contradições. Mas o seu legado universal é indiscutível. O meu Mandela (aquele que eu respeitarei sempre) acredita na razão e na justiça, derruba todos os obstáculos das dificuldades, das inevitabilidades, das infalibilidades e acredita na mobilização, organização e vontade. O meu Mandela situa-se num patamar superior da ética politica e social. Ama e respeita o seu povo, não se constituindo em dirigente auto-promovido mas em sua consciência politica e moral. É portanto IMORTAL.

CR

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