A
Guiné-Bissau tem sido falada recentemente pelas piores razões. É considerado
actualmente um Estado – falhado, sem um poder legítimo e responsável. Abundam
as referências ao seu papel nas rotas do narcotráfico e do tráfico de armas. As
autoridades fantoches, resultantes de um golpe de estado que derrubou um poder
legítimo, comportam-se como criminosos vulgares, alheios a regras e
compromissos com a comunidade internacional.
O
recente episódio que envolveu a tripulação de um avião da TAP que em escala em
Bissau, foi alegadamente forçado a embarcar para Lisboa 74 passageiros sírios
com passaporte falso, prova a irresponsabilidade e corrupção que envolve a
cúpula militar guineense. Os refugiados, de origem curda, pretenderiam chegar á
Europa de Shengen via Portugal, após pagamento de altíssimos subornos na
Turquia, em Marrocos e na Guiné –Bissau.
Quem
suporta a clique golpista e criminosa em Bissau? Não sendo certamente o povo,
resta a compreensão das dinâmicas regionais e da influência de potências
externas. Como se mantém o poder saído do golpe de 12 de Abril de 2012?
Percebamos
que na Guiné-Bissau (como em Timor-Leste, na crise que derrubou ilegitimamente Mário
Alkatiri) são as potências regionais quem decide. É é a Comunidade Económica
dos Estados da África Ocidental (CEDEAO),liderada por interesses franceses e
seus aliados da Nigéria, Senegal, Costa do Marfim e Burkina Faso, quem apoia a
situação vigente.
E com a bênção da ONU (o
seu representante em Bissau é Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz e ex presidente
de Timor), a camarilha do General Indjai, do Almirante Bubo Na TChuto, com
apoio político de Kumba Ialá, adia a reposição democrática da legalidade e da
normalidade, colocando os guineenses na situação de vítimas inocentes das suas
liderançasCR
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