…Capitulo 2. A realidade social e económica do Distrito
…b. Agricultura
A pequena e média agricultura
acumula dificuldades e continua a ser marcada pelo encerramento de explorações.
Contribuem para esta situação a falta de preços justos pagos á produção, a
falta de garantias de escoamento e a reduzida rentabilidade da actividade agrícola
– note-se que os agricultores arrecadam apenas 10% da cadeia de valor
proporcionado pelo seu trabalho enquanto o comércio, e particularmente as
grandes cadeias de distribuição que o dominam , fica com mais de 75% desse valor.
Problemas criados e agravados pelas regras e imposições da Politica Agrícola
Comum, que insiste na liberalização e desregulamentação dos mercados, como
aconteceu com a produção leiteira, com as dramáticas consequências para o país,
e particularmente para a Bacia Leiteira entre Douro e Minho. Elementos positivos de conjuntura, de que a
produção de vinho, e designadamente Vinho Verde, é um exemplo, não iludem
dificuldades profundas e vulnerabilidades estruturais que, a qualquer momento,
em função de novas medidas, como seja a liberalização da produção de vinho, com
o fim das autorizações de plantação de vinha, podem despontar em novos
problemas.
Neste contexto é necessário
intervir no sentido de garantir que os prejuízos da pequena agricultura,
incluindo os das explorações agro-pecuárias, consigam enfrentar e sobreviver
+as catástrofes do último ano e ás condições meteorológicas adversas, mas
também uma politica estrutural que defenda e apoie os pequenos e médios agricultores, que
significa necessariamente romper com a ditadura das grandes cadeias de distribuição,
com os interesses dos grandes agrários e os interesses externos.
A região sente a falta de medidas
concretas de apoio á Agricultura Familiar, designadamente a falta de mercados
de proximidade, de equipamentos colectivos de recolha e conservação de
alimentos, de apoios ao cooperativismo e á transformação de produtos agrícolas e
pecuários. Sente falta ainda do apoio á
Agricultura Biológica e a produtos de elevada qualidade e da promoção de
práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema, como a melhoria da
fertilidade do solo e a biodiversidade.
Merece ainda relevo, pela
gravidade e consequências para a soberania alimentar e o desenvolvimento da
agricultura regional, o desmantelamento de unidades públicas de Investigação
Agrária como a Estação de Lacticínios de Paços de Ferreira, a Estação de
Hortofloricultura de Vairão, Vila do Conde , a Estação de Vitivinicultura e Fruticultura
de Felgueiras , o Laboratório de Fertilidade dos Solos na Senhora da Hora e os
Viveiros Florestais de Amarante.
Os incêndios do último Verão e a
seca são elementos que evidenciam a necessidade de reforçar o apoio á
Agricultura Familiar e acrescentam dificuldades e limitações ás que resultam de
décadas de politica de direita, de subordinação a interesses externo s e de
favorecimento da grande agricultura. Um caminho que o governo minoritário do PS
está longe de inverter, designadamente no que respeita á política de ocupação
de solos e á proliferação do eucalipto.
Nota: A negrito, a minha contribuição
CR
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