COM ESTRONDO
Soubemos recentemente de factos significativos: a entrada em falência da PORTUGÁLIA, empresa de transporte por avião do grupo Espírito Santo, as dificuldades enormes da AIR LUXOR, outra companhia privada de aviação e o encerramento do semanário O INDEPENDENTE.
Importa dizer algo. As razões parecem idênticas em todos os casos e radicam nos prejuízos da sua actividade.
A PORTUGÁLIA surgiu no mercado da aviação civil numa lógica concorrencial da TAP. Assistia-se então a um discurso político e económico que sublinhava as vantagens da abertura do sector aos interesses privados e a superioridade de uma gestão privada, economicamente mais salutar numa empresa de referência.
A empresa acumula agora prejuízos e tornou-se economicamente inviável. Curiosamente surgem informações que dão conta da possível participação da TAP no capital social da Portugália por pressão do governo. Será que vamos ter mais uma vez o Estado a cobrir os prejuízos do privado?
A AIR LUXOR praticava preços muito competitivos e estendia a sua acção preferencialmente a rotas africanas, com o propósito de gerir aeroportos em S. Tomé e na Guiné e portanto controlar hegemonicamente o sector nessas paragens de África.
Agora é o caos completo, a desresponsabilização completa pelos compromissos comerciais, a ausência de perspectiva de normalidade.
Já quanto ao O INDEPENDENTE, construído pela cabeça e ambição da dupla Miguel Esteves Cardoso/Paulo Portas, devo relembrar que alguma da cega e nefasta ideologia dominante no final do século XX, o neoliberalismo, apareceu sempre longamente vertida nas suas páginas. Era uma fortaleza de certezas e discursos moralizantes. Era um eficaz instrumento de intervenção na vida portuguesa pela óptica e prosápia de uns quantos capitães da indústria da comunicação.
Agora jaz inútil. Por isso, não verterei qualquer lágrima pelo seu desaparecimento físico, para além do lamento pela perda de locais de trabalho.
A vida vai difícil. Mas, não por acaso, os mitos do liberalismo caem por vezes estrondosamente.
CR
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