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terça-feira, 6 de novembro de 2012

poema


Fundo do mar
No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
 
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
 
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
 
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
 
 Sophia de Mello Breyner Andresen
 
Obra Poética I
Caminho

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