Quem diz verdades mas só
uma parte da verdade estará a ser honesto e verdadeiro? A pergunta pode ser
colocada em relação às intervenções de Medina Carreira no programa
"Olhos nos olhos" . Os seus anúncios da morte do chamado "estado
social" devido ao constrangimento orçamental omitem que 67,9% das despesas do
Estado vão para a rubrica "Operações da dívida pública" (ver Mapa III do
OE-213). Portanto, falar extensamente dos 32,7% e não falar dos dois terços
restantes do orçamento é uma opção altamente enviesada. Seria curial, também,
que analisasse porque uma tão gigantesca fatia do orçamento vai para as ditas
"Operações da dívida pública" (são 124,7 mil milhões de euros que,
estranhamente, não são desagregados nos seus componentes). A razão para isso é
que o serviço da dívida pública aumentou brutalmente com a entrada de Portugal
na zona euro. Como os estatutos do BCE não lhe permitem financiar Estados, os
governos recorreram e recorrem à banca privada portuguesa. Esta, tal como
parasita, vai buscar empréstimos a banqueiros estrangeiros (a baixas taxas de
juros) e reempresta-os em grande parte ao Estado português (a taxas elevadas).
Donde se conclui, mais uma vez, ser imperativo que o Estado português seja
financiado por um banco central próprio — o que só poderá acontecer quando
Portugal recuperar a sua
soberania monetária .
Mas tais
conclusões são cuidadosamente omitidas por Medina Carreira e pela jornalista que
o entrevista.
(em resistir.info)
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